sábado, 24 de setembro de 2011

Trabalhadores da Embraer entram em greve em São José dos Campos (SP)

Neste momento trabalhadores fazem passeata rumo ao Jardim Paulista

Foto: SindmetalSJC
Os metalúrgicos do 1º turno da Embraer, unidade da Faria Lima, em São José dos Campos, aprovaram, na manhã desta quinta-feira, dia 22, a realização de uma greve por 24 horas. Neste momento, os trabalhadores estão em passeata, na avenida dos Astronautas, rumo a Praça da Igreja São Judas Tadeu, no Jardim Paulista. Cerca de três mil trabalhadores participam da manifestação.

A paralisação é em razão de impasse na Campanha Salarial. A empresa se nega a iniciar negociações imediatas com o Sindicato e antecipar a data-base de novembro para setembro, a exemplo do que já ocorre em toda a categoria.

Na última segunda-feira, os trabalhadores votaram estado de greve e deram prazo de 48h para a empresa responder às reivindicações, votadas por unanimidade nas assembleias.

Na pauta de reivindicações da categoria também estão incluídas redução da jornada, negociação de PLR direta com o Sindicato, melhores condições de saúde e segurança para os trabalhadores e que a Embraer pare de desviar os ônibus dos funcionários nos dias de assembleia.

Atualmente, as negociações do setor aeronáutico são feitas entre a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e o Sindicato dos Metalúrgicos. A Embraer é a maior empresa do setor e, somente em São José dos Campos, possui cerca de 12 mil funcionários.

Mais notícias serão publicadas ainda durante a manhã de hoje no site São José dos Campos. http://www.sindmetalsjc.org.br

Fonte: SindmetalSJC

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Metalúrgicos de MG realizam mobilizações nas fábricas e nas ruas


Desde o início deste mês, os metalúrgicos de Minas filiados à Federação Sindical e Democrática dos Metalúrgicos e à CSP-Conlutas têm realizado uma forte jornada de mobilização por todo o estado. Já aconteceram protestos e paralisações em dezenas de cidades, como Pirapora, Várzea da Palma, Três Marias, Itaúna e muitas outras. Paralisações e atos públicos estão sendo realizados nos locais de trabalho e em áreas de grande circulação da população, onde estão sendo denunciados os abusos da patronal e as reivindicações da categoria.

Centro-oeste -No dia 2 de setembro, o ato de lançamento da Campanha em Itaúna, cidade do Centro-Oeste mineiro, foi marcado por assembleias nas fábricas Saint-Globain e Arcellor Mittal. à tarde os metalúrgicos percorreram o centro de Itaúna onde foi entregue a pauta e uma carta no INSS do município.

São João Del Rei – No dia 06, foi a vez de São João Del Rei, onde ocorreram assembleias na LSM, Melt, Ligas Gerais, com participação de 100% dos trabalhadores, incluindo os do escritório. Na LSM houve atraso de 40 minutos na entrada dos turnos. Ainda pela manhã os metalúrgicos organizaram um ato unificado no centro de São João, em que participaram categorias em luta do município, como os servidores públicos municipais, professores da rede estadual e funcionários da universidade federal. Durante a manifestação também foi entregue um documento de reivindicações no INSS e terminou na entrada da UFSJR com ato de solidariedade aos funcionários em greve.

Itajubá – Em Itajubá, as mobilizações começaram na madrugada, onde os metalúrgicos da Delphi de Paraisópolis demonstram unidade e disposição de reverter o quadro em favor dos metalúrgicos. Á tarde foi realizada uma grande manifestação no distrito industrial e na portaria da Mahle. Em seguida foi realizada uma grande manifestação no centro da cidade com passeata finalizada na Câmara Municipal. Nesta última foi solicitada a realização de uma audiência pública para cobrar investimentos nas áreas sociais do município, pois, com a previsão de grandes investimentos a cidade corre um grande perigo de inchaço e colapso dos serviços públicos.

Reivindicações -Dentre as principais exigências dos metalúrgicos, estão aumento salarial de 20%, eleições de delegados sindicais, 36 horas de jornada semanal sem redução de salários e sem banco de horas, maior cuidado com a saúde e a segurança nos locais de trabalho e manutenção dos direitos historicamente conquistados pela categoria.

A patronal vive uma situação econômica que a permite atender tranquilamente as reivindicações. Nos últimos anos aumentaram bastante a produtividade e, em geral, a indústria mineira tem crescido acima da média nacional. A imprensa tem divulgado que o lucro líquido aumentou 30% somente no primeiro semestre deste ano. Pesados investimentos foram anunciados nos setores automotivo e siderúrgico do Estado. Para os próximos dois anos estão previstos investimentos na ordem de 100 bilhões de dólares, principalmente nas indústrias metalúrgicas.

Além disso, o governo federal e estadual tem concedido isenções de impostos e incentivos financeiros que aumentam entregam mais dinheiro público para engordar os lucros das empresas, como no programa Brasil Maior, lançado recentemente pelo governo federal e apoiado por centrais sindicais pelegas como a CUT e a Força Sindical.

Aumentam o ritmo de trabalho, os acidentes e o arrocho

Diferente da bonança desfrutada pelas empresas, os trabalhadores tem enfrentado uma situação nada boa. Os salários pagos no estado são a metade dos salários de São Paulo, por exemplo. Com a enxurrada de crédito no mercado nos últimos anos, hoje é muito difícil encontrar algum trabalhador que não esteja endividado. Essa situação se agrava com a alta da inflação e a carestia dos alimentos, que atingem principalmente os mais pobres.

Dentro das empresas é aplicado um programa de reestruturação produtiva permanente que a cada ano garante saltos na produtividade por meio do aumento da exploração. O ritmo de trabalho é infernal e a pressão da chefia se traduz no assédio moral constante contra os operários.

Só para se ter uma idéia, cada trabalhador fatura para os patrões cerca 735 mil dólares ao ano no setor automotivo. Enquanto isso, os salários na FIAT, por exemplo, que é a principal montadora de automóveis do país, não passa de 2 mil reais por mês, em média.

Outro aspecto que mostra de onde vem estes fabulosos lucros é o aumento do número de acidentes e das doenças relacionadas ao trabalho. Este ano já morreram pelo menos 2 trabalhadores somente em Várzea da Palma, vítimas de acidentes no trabalho. Além disso, existe suspeita de uma epidemia de silicose em todo o estado.

Indignação é o combustível da Campanha Salarial

Como se não bastasse, além de suportar as duras penas a situação nos locais de trabalho, as famílias dos trabalhadores também enfrentam uma realidade nada confortável. As escolas públicas são sucateadas, com professores recebendo salários miseráveis, sendo obrigados a recorrer a mais de 100 dias de greve. A saúde pública também vem num constante processo de privatização e sucateamento do SUS, com a aprovação das parcerias público-privadas. Além disso, em diversas cidades, os serviços públicos estão praticamente paralisados por conta de diversas denúncias de corrupção.

Por tudo isso, nas atividades da Campanha Salarial Unificada, os Metalúrgicos tem demonstrado grande insatisfação tanto com a situação dentro das empresas quanto com os problemas vividos por toda população trabalhadora.

Avançar na organização


Os próximos passos da Campanha Unificada dos Metalúrgicos de Minas Gerais será intensificar ainda mais as assembléias e mobilizações em todos os municípios. Vamos seguir adiante para mostrar para a patronal que não estamos para brincadeira e vamos colocar os bloco dos metalúrgicos na rua.

Ricardo Malagoli
Fonte: CSP-Conlutas

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Greve dos operários da construção civil arranca conquista em Belém (PA)

Trabalhadores enfrentaram a repressão da polícia e os ataques da grande imprensa

Após oito dias de uma forte greve que agitou a capital do Pará, os operários da construção civil conquistaram reajustes que chegam a 14% e uma série de outros avanços. A paralisação, deflagrada no dia 5 de setembro, enfrentou a intransigência da patronal, a repressão policial e a criminalização da grande imprensa. 

No primeiro dia de greve, os operários tomaram as ruas do centro de Belém em uma marcha que reuniu cerca de 10 mil trabalhadores. Mas desde o início a greve enfrentou a política repressiva do governo Simão Jatene (PSDB). A Tropa de Choque e a Cavalaria, entre outros destacamentos, além de acompanharem as passeatas, foram deslocados para protegerem as propriedades dos empresários e inibir os piquetes nos canteiros de obras. No dia 13, a polícia reprimiu violentamente uma manifestação da greve, detendo dois operários e o diretor do sindicato Zé Gotinha. 



Os trabalhadores, porém, não recuaram e mantiverem forte o movimento de greve, que durou oito dias. A patronal, que acenava inicialmente com apenas 7% de reajuste (apenas 1% de aumento real) foi sendo obrigada a aumentar a proposta. Numa segunda rodada de negociações, ofereceu 8%, que também foi recusado pelos trabalhadores. No dia 14, a patronal acenava com novo recuo e os operários suspenderam a paralisação para negociar, mas mantiveram-se em estado de greve.

“Nosso acordo, fruto dessa forte mobilização, foi o melhor que conquistamos em anos”, afirma o diretor do sindicato Aílson Cunha. A proposta aprovada pelos operários garante um salário de R$ 650 aos serventes, o que representa reajuste de 14%; R$ 680 aos semi-profissionais e R$ 900 aos profissionais, ou 12,5% de aumento. Para as demais faixas salariais, o reajuste é de 10%. Além disso, os operários conquistaram 20% de PLR e redução no desconto do vale transporte, de 3% para 2%.

Outros avanços foram o auxílio benefício aos operários incapacitados, enquanto não sai o auxílio do INSS, e o seguro de vida, que passou de R$ 11 mil para R$ 22 mil. “Não conquistamos todas as nossas reivindicações, como a cota de 10% para as mulheres operárias, mas avaliamos como muito positiva nossa greve, derrotamos a patronal e a imprensa burguesa e mostramos que com luta é possível vencer”, afirma Aílson.

Partido tem forte atuação na greve

O PSTU colocou todas as suas forças a favor da greve e aproximou diversos operários, que estão agora discutindo com o partido. ”Chegamos a vender mais de 300 jornais durante a greve”, relata Aílson, também militante do PSTU. ”Só em um canteiro, vendi 45 jornais do Opinião Socialista”, afirma. 

Nesse dia 20 de setembro o PSTU promove o debate “Por que existe desigualdade social”, em que espera a presença de pelo menos 30 trabalhadores que se aproximaram do partido durante a greve.

Fonte: Sítio do PSTU

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Metalúrgicos da GM aprovam 10,8% de reajuste e abono

Vitória veio após intensa mobilização da categoria

Os metalúrgicos da General Motors, em São José dos Campos, aprovaram nesta segunda-feira, dia 12, o reajuste salarial de 10,8% a partir de 1º de setembro, o que representa 3,2% de aumento real mais inflação, além de R$ 3 mil de abono e ampliação de cláusulas sociais. 

A conquista é resultado da mobilização dos trabalhadores da GM, que chegaram a parar a produção por 24 horas, no dia 6, para que a montadora ampliasse as propostas apresentadas na mesa de negociação. Na ocasião, a empresa havia oferecido apenas 9,4% para novembro e R$ 2 mil de abono. 

O reajuste de 10,8% será aplicado aos salários de até R$ 7.700. Para quem recebe acima desse valor, será pago um fixo de R$ 816,74. O piso passa de R$ 1.423 para R$ 1.574,12. O abono será pago já em setembro.

O acordo conquistado pelos metalúrgicos de São José dos Campos é superior ao fechado entre as montadoras e os sindicatos dos metalúrgicos do ABC e de Taubaté, filiados à CUT, que aceitaram o aumento real de 2,4%, abono de R$ 2.500 e negociação apenas a cada dois anos.



Cláusulas sociais 

Além do reajuste e abono, os trabalhadores da GM conquistaram licença maternidade de 180 dias para mães adotantes, licença casamento estendida aos trabalhadores com união estável, estabilidade de dois meses após a volta da licença maternidade, reajuste do auxílio-creche e renovação das cláusulas que garantem estabilidade para lesionados e adicional noturno de 30%. Antes mesmo do início das negociações, a GM já havia proposto a retirada das duas últimas cláusulas.

Nos próximos 90 dias, Sindicato e montadora continuarão as discussões sobre a eleição de Delegados Sindicais, uma das mais importantes reivindicações da categoria nesta Campanha Salarial. Eleger delegados é um direito já previsto pela Constituição Federal, mas ainda não cumprido pela maioria das empresas.

“Para conquistar delegados sindicais na GM os trabalhadores enfrentarão uma nova batalha. Esta é uma luta de extrema importância para toda a categoria. Os delegados serão um elo entre os trabalhadores e o Sindicato e quanto mais delegados tivermos na fábrica, mais força teremos para lutar”, afirma Vivaldo Moreira Araújo, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, filiado à CSP-Conlutas. 

“Esta foi uma campanha em que, mais uma vez, os trabalhadores das GM deram exemplo de luta. Apesar de todo discurso dos empresários e do governo federal para que não houvesse aumento real de salário, os metalúrgicos não se intimidaram, foram pra cima e conseguiram garantir seus direitos. Agora, essa mesma força será estendida aos metalúrgicos dos outros setores, como autopeças e eletroeletrônicos”, afirma o secretário-geral do Sindicato, Luiz Carlos Prates.

FONTE: WWW.SINDMETALSJC.ORG.BR