domingo, 11 de setembro de 2011

Em greve, operários do Maracanã prometem passeata na próxima semana

Trabalhadores devem dar volta olímpica no estádio contra o que chamam de “descaso” das construtoras

Assembleia dos grevistas em frente ao Maracanã (crédito: Divulgação)

Parados há mais de uma semana, os 2.200 trabalhadores que tocam a reforma do Maracanã prometem dar uma volta olímpica no estádio na próxima terça-feira (13). O giro será um protesto contra o que chamam de descaso das empresas em relação à greve que teve início na quinta-feira da semana passada (1).

O objetivo da manifestação é reforçar os argumentos que justificam a legitimidade da greve. Na próxima segunda, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Pesada Intermunicipal do Rio de Janeiro (Sitraicp) deve apresentar ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) fluminense a defesa da paralisação.

Isso porque o Consórcio Maracanã Rio 2014 (Odebrecht, Andrade Gutierrez e Delta) considera a greve abusiva e quer que o TRT encerre a paralisação. Na última segunda-feira (5), uma audiência realizada no tribunal terminou sem acordo e os juízes deram prazo de cinco dias úteis para a apresentação das defesas.

Segundo o diretor do sindicato, Romildo Vieira, os operários estão revoltados com inflexibilidade do consórcio, que só negociou por meio judicial. “O consórcio não está dando valor ao trabalhador, não está pensando na comida estragada servida, nas condições ruins de trabalho dos operários. Estamos fazendo nossas assembleias todos os dias e nada de negociação”, disse.

Os operários reivindicam melhores condições de trabalho, presença de nutricionista e médico no turno da noite, troca da empresa que fornece a alimentação, melhoria na refeição e pagamento imediato da cesta básica de R$ 180. Segundo os operários, as empresas fornecem comida estragada.

O consórcio afirma estar cumprindo os acordos firmados no dia 21 de agosto, época em que terminou a primeira greve do Maracanã, e nega que foi servida comida estraga aos operários.

Vanessa Cristani, do Rio de Janeiro
Fonte: Portal Copa 2014

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

No 2º dia de greve operários da construção civil de Belém voltam a se mobilizar; envie moção


Em Belém, o segundo dia da greve dos trabalhadores da construção civil mobilizou mais de 5 mil operários. Na manhã de terça-feira (6) diversos piquetes espalhados pela cidade se encaminharam a sede do sindicato localizada na Travessa 9 de Janeiro, centro da cidade, para concentração do ato público. Em seguida a categoria decidiu seguir em caminhada até a sede do SINDUSCON (Sindicato Patronal) para pressionar os empresários a negociar com o comando de greve a proposta de aumento.


A passeata tomou as ruas do centro de Belém, a Avenida Governador José Malcher e depois a Brás de Aguiar ficou lotadas de trabalhadores. Os operários gritavam palavras de ordem como: “Contra o governo, contra o patrão, quero salário, saúde e educação!”.

Uma Carta à Sociedade foi elaborada pelo sindicato e distribuída à população nas ruas que observavam os protestos. A Carta denuncia os casos de acidentes e mortes nos canteiros de obras da cidade, e divulga os lucros absurdos obtidos pelos empresários com os empreendimentos espalhados pela capital.

Patrões não avançam na negociação

Embora os patrões tivessem prometido não negociar com os trabalhadores em greve, a mobilização e os protestos em frente à sede do SINDUSCON conseguiu que o comando de greve sentasse com a patronal. Os trabalhadores ficaram em frente à Patronal esperando o comando voltar da negociação. Porém, os patrões menosprezaram a mobilização e se negaram a avançar em aumento para além da proposta inicial de 10% (INPC + 3,32%aumento real). “Vamos manter a nossa proposta de 20% de aumento, 10% das vagas nas empresas para mulheres, classificação e qualificação para as operárias, plano de saúde e cesta-básica”, disse Cleber Rabelo dirigente da greve.


Na saída da negociação, os membros do comando de greve deram informe da reunião: “Eu tenho dois filhos, uma família que depende do meu salário. Eu só arredo o pé da greve com aumento” disse “o patrão de carro novo e o peão só come ovo”.Os trabalhadores realizaram uma assembléia e decidiram continuar a greve nesta quinta-feira. “A greve continua na quinta-feira até os patrões se dobrarem” disse Atnágoras Lopes diretor do sindicato e representante da CSP Conlutas.

Walter Santos
Fonte: Sítio da CSP-Conlutas

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Metalúrgicos da General Motors entram em greve por reajuste salarial

Trabalhadores rejeitam proposta patronal e só voltam à fábrica na quinta-feira

Os metalúrgicos da General Motors, em São José dos Campos, entraram em greve de 24 horas nesta terça-feira, dia 6. Em assembléia, os trabalhadores do primeiro turno rejeitaram a proposta de 9,4% de reajuste salarial (INPC + 2% de aumento real) a partir de novembro e abono de R$ 2 mil.


A proposta foi apresentada pela empresa na rodada de negociação ocorrida ontem, dia 5, pela Campanha Salarial 2011. Os metalúrgicos reivindicam 17,45% de reajuste, ampliação das cláusulas sociais e direito a eleição de delegados sindicais.

A fábrica da GM em São José dos Campos possui cerca de 9 mil trabalhadores e produz os modelos Corsa, Meriva, Classic, Zafira, S10, Blazer e kits desmontados para exportação, além de de motores e transmissões. Com a paralisação, deixarão de ser fabricados cerca de 940 veículos.

Uma nova assembleia com os trabalhadores do segundo turno acontecerá por volta das 14h30. Os metalúrgicos só voltam a produzir a partir de quinta-feira.



A empresa ainda não marcou uma nova rodada de negociação, mas se não houver avanços pode ser deflagrada greve por tempo indeterminado na unidade.

“Essa proposta tem de ser encarada como uma provocação. Todos os trabalhadores sabem o momento favorável que a GM e a economia brasileira estão vivendo. No ano passado, as vendas da GM tiveram um crescimento de 10%. Este ano a indústria automobilística teve o melhor agosto de sua história. Portanto, é inaceitável que a empresa venha com uma proposta rebaixada para a mesa de negociação”, afirma Antonio Ferreira de Barros, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, filiado à CSP-Conlutas.

A proposta da GM abrange trabalhadores com salários de até R$ 7.200. Quem recebe acima desse valor receberia um fixo de R$ 546.

SINDICATO DOS METALÚRGICOS DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS (SP)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

No primeiro dia da greve, 12 mil trabalhadores da construção civil tomam as ruas de Belém

O primeiro dia da Greve dos operários da construção civil de Belém impactou e paralisou a cidade. Mais de 25 mil trabalhadores da região metropolitana que compreende Belém, Ananindeua e Marituba, iniciaram a segunda-feira em greve por melhoria salarial e cesta básica. Nas ruas cerca de 12 mil trabalhadores realizaram arrastões e pararam todas as obras. Dois atos se formaram, um pela Rodovia Augusto Montenegro, com o companheiro Ailson Cunha a frente e outro vindo pela Avenida Almirante Barroso com a liderança de Cléber Rabelo e Atnágoras Lopes. Ao final os dois atos se encontraram na região do entroncamento que liga as duas avenidas.

O governo e a sua polícia do lado dos patrões

O governador Simão Jatene (PSDB) não perdeu tempo e logo pela manhã apareceu com todo o seu aparato policial para reprimir a greve. Ficou a serviço da ROTAM (Ronda Tática Metropolitana), polícia especializada em repressão, a tarefa de sufocar a mobilização. Eram viaturas, cavalaria, cães treinados, gás lacrimogêneo, táticos entre outros artifícios a serviço dos donos das empreiteiras. Um dos casos piores foi o das obras na Santa Casa de Misericórdia, uma obra do governo do estado, em que dois trabalhadores foram presos e tiros foram deflagrados contra os operários que paravam as obras. “Acabou a ditadura, mas a polícia continua reprimindo. O governo não dá nenhum apoio. A gente tem que ir pra rua pra conseguir alguma coisa”,relatou o operário Rodrigues, da empresa Freire Mello.

Clima de indignação

Apesar da repressão a adesão da categoria foi absoluta. “O clima é de luta e indignação. Queremos salário, saúde e educação! Somos pais e mães de família, e lutamos pela melhoria de vida de todos”, explanava Cleber Rabelo do alto do carro som para a massa de trabalhadores. Fazendo a alusão a tradicional marcha religiosa do Círio de Nazaré que ocorre anualmente em Belém, os trabalhadores começaram a gritar a palavra de ordem: “Ão, ão, ão é o Círio do Peão” para expressar a multidão que tomava conta da cidade.

Durante a passeata os trabalhadores também gritavam a palavra de ordem “se a construção civil cresceu, eu quero o meu” colocando pra fora a opressão e a exploração vivida dentro dos canteiros de obra de Belém e a necessidade de repartir a riqueza do país.

A presença forte de operárias

Também foi outro marco do primeiro dia de greve. Com faixas reivindicando direitos e bandeiras do Movimento Mulheres em Luta as mulheres tiveram uma participação bem ativa. “As operárias devem se unir aos companheiros para tirarmos da patronal nosso aumento e o nosso direito a qualificação e classificação da nossa função do rejunte dentro do canteiro. A reserva de 10% das vagas será fundamental para dar mais oportunidade para as mulheres” disse Deusinha Coordenadora Geral do Sticmb.

A mobilização vai continuar

Após o ato o Comando de Greve formado pela diretoria e vários companheiros da base irá se reunir na sede do sindicato e realizar os ajustes para a o dia de amanhã (terça-feira). Ainda durante a tarde, às 16 horas a comissão de negociação irá se reunir com a patronal para tentar negociação.

O envolvimento das entidades está sendo muito importante para fortalecer a luta dos operários da construção civil de Belém por melhores condições de vida. Entre elas o PSTU, o PCB, a CSP Conlutas, a ANEL, o SINDITIFES, ADUFPA, DCE UFPA entre outros. Envie nota de apoio. Fortaleça essa luta! sticmbpara@yahoo.com.br.

Walter Santos
Fonte: Sítio da CSP-Conlutas

Cerca de 10 mil operários marcham no primeiro dia de greve da construção civil de Belém (PA)

Trabalhadores enfrentam repressão policial em canteiros de obras do governo

Começou forte o primeiro dia de greve dos trabalhadores da construção civil de Belém (PA) nesse dia 5 de setembro. A paralisação havia sido deliberada na assembleia realizada no último dia 25 e que reuniu 2 mil operários, e ratificada no dia 1º, prazo dado à patronal. “Nossa greve começou muito forte, os trabalhadores estão indignados com os baixos salários e as condições de serviço e estão demonstrando muita disposição de luta”, afirma Cleber Rabelo, dirigente do Sindicato da Construção Civil de Belém (PA). Após paralisarem os canteiros, cerca de 10 mil trabalhadores marcharam pelas principais ruas da cidade.


“Saímos dos canteiros e fomos até o sindicato e de lá seguimos em passeata pela Almirante Barroso até o Entroncamento, e tomamos conta da Praça do Monumento da Cabanagem”, informa Cleber. Lá os operários realizaram assembleia para definir os rumos do movimento. O dirigente denuncia ainda que o governo deslocou todo o aparato repressivo para acompanhar as mobilizações. Além da Tropa de Choque e do COE (Comando de Operações Especiais), várias viaturas do Comando Tático e até caminhões da Cavalaria acompanharam os operários. 

Em algumas obras do governo, como a da Santa Casa, a polícia reprimiu com bombas de gás e spray pimenta. Dois operários também acabaram detidos.“Os trabalhadores questionaram essa atitude vergonhosa do governo, porque aqui não tem bandidos, somos todos pais e mães de família lutando por um salário justo”, indigna-se Cleber. 

Reivindicações

No início das negociações da campanha salarial, a patronal ofereceu apenas o equivalente a 1% de reajuste real, uma provocação que indignou os operários. Após várias mobilizações e pressão, o Sinduscon-PA, sindicato patronal, acenou com reajuste real de 3%, ainda bem abaixo dos lucros do setor no último período e das necessidades dos operários. A reivindicação dos trabalhadores é de salário de R$ 680 aos serventes, R$ 770 aos meio-oficiais, R$ 1000 para os profissionais; além de cesta básica de R$ 150, plano de saúde, qualificação e 10% de vagas para as mulheres. A incorporação das reivindicações das mulheres e a participação feminina estão sendo destaque nessa campanha. 

Além da pauta salarial, Cleber destaca ainda o conjunto de reivindicações políticas que estão sendo levantadas nas mobilizações. “Nossa luta também é contra a corrupção que impera nesse estado, exigindo a prisão dos corruptos, contra a divisão do Pará e contra a usina de Belo Monte”, afirma. 

Uma negociação no Tribunal Regional do Trabalho estava marcada para as 16h desse dia 5, mas a patronal, além de se manter intransigente, não havia confirmado presença.

Fonte: Sítio do PSTU

Morte de metalúrgico revela negligência da Embraer

Um acidente tirou a vida de um jovem trabalhador na manhã desse dia 1º de setembro na planta da Embraer em São José dos Campos (SP). Leia a nota divulgada pelo sindicato


SINDICATO DOS METALÚRGICOS DE SJC E REGIÃO

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, filiado à CSP-Conlutas, considera que houve negligência por parte da Embraer, no acidente que resultou na morte do monitor de montagem elétrica Vinícius Machado Mendes, 29 anos. 

O trabalhador morreu nesta quinta-feira, dia 1º, ao ter a cabeça prensada entre duas portas acionadas por sistema elétrico, dentro da fábrica, no hangar de montagem final de aeronaves, no F220. Vinícius trabalhava há oito anos na fábrica, era casado e tinha uma filha de cinco anos.

O acidente aconteceu por volta das 8h45, quando Vinicius acionou um botão para que a porta do hangar do F-220 se abrisse. Ao que tudo indica, simultaneamente, um outro funcionário que estava do lado oposto acionou o botão para que a porta se fechasse. Com isso, a cabeça de Vinícius foi pressionada. 


No local, não há qualquer dispositivo de segurança que impedisse o acidente, o que é responsabilidade da empresa. O risco dessa situação já havia sido apontado anteriormente por trabalhadores do setor à Embraer. 

Acionada pelo Sindicato, a Delegacia Regional do Trabalho (DRT) e a Polícia estiveram hoje no local para apurar as condições em que o acidente ocorreu, mas ainda não há data para divulgação de laudo técnico.

A morte de Vinícius Mendes mostra o descaso da Embraer com a segurança de seus funcionários. Somente este ano, ocorreram pelo menos outros dois acidentes graves. Em um deles, uma trabalhadora teve parte do dedo decepada por uma máquina. Em outro, o trabalhador teve a testa atingida por um equipamento. Três meses após o acidente, o mesmo trabalhador foi demitido. 

O Sindicato vai intensificar a mobilização na fábrica para exigir medidas imediatas e permanentes que garantam a saúde e segurança de todos os trabalhadores. A entidade também acompanhará as investigações do caso para que tudo seja apurado e os culpados sejam responsabilizados.

Fonte: Sítio do PSTU

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Operários da construção civil de Belém recusam proposta da patronal e aprovam greve para 5 de setembro

Apesar dos altos lucros, patrões ofereceram apenas 1% de aumento


Foram cerca de 2 mil trabalhadores que lotaram a assembleia geral no dia 25 de agosto, na região central de Belém, para deliberar sobre a campanha salarial 2011 da categoria. Um sentimento de indignação tomou conta da multidão de operários quando a diretoria do sindicato anunciou a proposta da patronal de apenas 1% de aumento. ”Não vamos recuar! É greve, greve, greve!”, gritavam os trabalhadores cansados dos baixíssimos salários pagos pelos empresários e pelas péssimas condições de trabalho nos canteiros de obras. A assembleia foi convocada para decidir o rumo da campanha salarial depois da 2ª rodada de negociação realizada com os empresários dia 24. O Sinduscon, sindicato da patronal, ofereceu apenas migalha diante dos altíssimos lucros obtidos pelas empresas nos últimos meses.

“Os trabalhadores da construção civil de todo o estado do Pará estão em uma campanha salarial unificada porque do jeito que está não dá pra ficar!”, relatou o companheiro Zé Gotinha, diretor do sindicato de Belém e um dos coordenadores da assembleia. Os trabalhadores em unanimidade votaram pela manutenção da proposta inicial e início da greve a partir do dia 5 de setembro, segunda-feira, caso os patrões não avancem na negociação com o sindicato. Foi aprovado o prazo de até o dia 1º de setembro, quinta-feira, quando será realizada outra assembleia geral para encaminhar a greve.

A importância desta luta para o conjunto da classe trabalhadora se expressou na boa participação das mulheres operárias que estiveram em grande número, fruto da incorporação de pautas específicas (creche nos locais de trabalho, licença maternidade e salário igual para trabalho igual) na luta geral dos trabalhadores, mostrando a necessidade cada vez maior de fortalecermos a luta contra o machismo.

A proposta dos trabalhadores é: servente R$ 680,00; meio-oficial R$ 770,00; profissional R$ 1.000,00; cesta básica de R$ 150,00; Plano de Saúde; Qualificação e Classificação para as operárias e 10% de vagas para as mulheres. 

Ao final da assembleia os trabalhadores saíram em passeata em direção à sede do sindicato dos empresários para mostrar a força da categoria e dizer ‘não’ à migalha de salário oferecida pelos patrões. Os operários dialogaram com a população pedindo o apoio a luta dos trabalhadores. Além disso, os operários protestaram contra a construção de Belo Monte, reivindicando que o dinheiro desta obra seja revestido para construir casas populares e também se manifestaram contra a Divisão do Estado do Pará e pela defesa dos 10% do PIB para a educação.

O PSTU marcou presença com faixa e panfletos em apoio a campanha salarial como também levantando as bandeiras e apresentando seu jornal para a categoria e fez sua intervenção afirmando que sua militância estará ombro a ombro nessa luta. 

WALTER SANTOS, DE BELÉM (PA)
Fonte: Sítio do PSTU